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A prática de enviar ou receber brindes e presentes corporativos parece inofensiva à primeira vista, mas pode ser o embrião de uma corrupção e causar consequências gravíssimas à ética da sua empresa.

É importante compreender que não precisa existir necessariamente uma intenção de influenciar quem recebe o presente a beneficiar quem o presenteou.

Do contrário, na maioria dos casos os brindes e presentes entregues são apenas uma forma de agradecimento pela relação desenvolvida naquele dado período.

Como a troca de presentes corporativos pode prejudicar as organizações?

Imagine um empresário ou gestor que precisa renovar o contrato com uma prestadora de serviços ou contratar uma nova para o ano seguinte e, em meio a esse processo de escolha, recebe um presente da atual contratada – que tem interesse na renovação – como um singelo agrado de fim de ano.

Mesmo não tendo aparentemente uma relação direta entre o presente recebido e a escolha técnica a ser feita, esse fator tende a influenciar a tomada de decisão.

 

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Isso é conhecido como Teoria da Dádiva e tem um impacto nocivo aos negócios da organização, pois consciente ou inconscientemente, a contratada pode não ter o melhor custo-benefício à contratante.

O ciclo vicioso: dar, receber e retribuir.

A Teoria da Dádiva consiste em um mecanismo cíclico onde um determinado sujeito dá algum presente a outro que o recebe e fica, a partir disso, na obrigação de retribuir.

Presentes corporativos

O objetivo da dádiva é basicamente criar, consolidar e reproduzir os laços sociais entre os envolvidos, fazendo circular favores, brindes, serviços, entre outras gentilezas.  

 

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Um exemplo disso eram as doações privadas às campanhas políticas: uma empresa doava recursos a um candidato que o recebia legalmente.

No entanto, após eleito quando uma possível decisão sua pudesse interferir na empresa que o ajudou a se eleger, o sentimento de necessitar retribuir de alguma forma a doação, mesmo que isso nem fosse pedido, poderia ser iminente.

A fraude começa nos pequenos atos!

É fácil entender a lógica de dependência causada pelo recebimento de um determinado benefício quando usamos os casos de corrupção da política brasileira como exemplo. Porém uma inocente troca de presentes corporativos na sua empresa pode ter o mesmo efeito.

Brindes e mimos corporativos são uma estratégia de fidelização entre fornecedores e clientes, ou outras partes, contudo não podem oferecer uma vantagem indevida e caracterizar um processo de dádiva que induza uma retribuição.

Essa linha, no entanto, é muito tênue!

Para evitar a existência de uma fraude as políticas da empresa devem ser claras e transparentes. O ideal é romper com essa prática de troca de presentes, inclusive orientando os colaboradores a devolverem o que receberem.

Não aceitar um presente oferecido de um parceiro é uma situação delicada, mas pode ser resolvida com uma simples ligação ou entrega de uma carta agradecendo a lembrança e explicando as políticas da empresa.

Mas atenção: apenas proibir o recebimento de presentes não é suficiente!

A empresa deve desenvolver e manter uma cultura ética, para isso é fundamental que todos os colaboradores entendam o motivo pelo qual é prejudicial aos negócios da empresa a prática de dar e receber agrados nas relações comerciais.

Todas as respostas devem estar no código de ética!

Uma empresa sólida precisa ter um código de ética estabelecido que represente e seus valores e norteie os comportamentos e atitudes de cada colaborador.

Para isso, o código de ética precisa conter todas as informações relevantes de como proceder diante de dilemas éticos e ser muito mais do que um papel!

Não basta criar um conjunto de regras éticas e de conduta, é necessário que esse código esteja ancorado em uma cultura corporativa ética e seja incorporado naturalmente por todas as pessoas diretamente vinculadas à organização.

 

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A reputação de uma organização é um de seus ativos mais valiosos e até mesmo um despretensioso presente aceito ou entregue tem potencial para causar significativos danos de imagem.

Para prevenir riscos é indispensável que se desenvolva programas compliance contínuos e efetivos, com um código de ética bem elaborado e, principalmente, difundido.

 

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