A maioria das pessoas pensam que possuem o total controle do que escrevem ou do que falam e até acreditam que são capazes de proferir alguma mentira sem que seja percebida.

Em muitas situações elas se cercam de cuidados e pedem auxílio para outras pessoas, assessores de impressa e até mesmo de advogados para escrever um e-mail, enviar um comunicado, emitir uma nota ou participar de uma entrevista.

E quando se tem o domínio sobre a língua e sua correta utilização, essa percepção de que se pode esconder uma mentira de um discurso é ainda mais latente, pois quanto mais culto maior é a tendência de que se tenha credibilidade e consequentemente de que os argumentos e explicações sejam aceitos.

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Por um lado isso é verdade, pois pessoas que possuem tal habilidade têm maior capacidade de argumentar, de manipular os ouvintes e de se defender quando necessário.

Porém, quando falamos da análise da linguagem verbal, estamos falando da análise do conteúdo emitido pela pessoa através da fala ou da escrita, conteúdo este que independe do domínio sobre a língua ou da sua capacidade de argumentação.

O que é analisado, em síntese, é a razão da pessoa ter utilizado determinada palavra ou expressão em uma frase ou parte do seu discurso. Portanto, a mentira não é maquiada pelo nível intelectual em uma análise da linguagem verbal.

Esta análise de detecção de mentira contempla em entender como uma pessoa verdadeira e comprometida com o seu discurso responderia uma pergunta ou se posicionaria frente a um assunto relevante que pudesse colocar sua imagem e reputação em risco.

O Caso Nardoni

Como exemplo, podemos citar o caso do assassinato da menina Isabela Nardoni no qual os pais ao perceberem que de vítimas passariam a ser suspeitos pela a morte da menina e decidiram emitir um comunicado à imprensa.

Os trechos a seguir demonstram vazamento de informações sensíveis os quais reforçam a tese dos pais serem os responsáveis pelo assassinato:

  • “Eu como pai de três filhos, posso dizer sem dúvida uma coisa, que a Isabella é o maior tesouro da minha vida”.
  • “Amo a Isabella incondicionalmente e prometi a ela, em frente a seu caixão, que enquanto vivo não sossego, até encontrar este monstro”.
  • “A Isabella sempre foi muito carinhosa comigo e com os irmãos dela. Costumava dizer que era a mamãe do meu filho mais novo, o Cauã, e defendia o do meio, o Pietro, acima de tudo”.

 

Veja 8 indícios da mentira nesse caso

Acompanhe apontamentos da análise do discurso de Alexandre Nardoni e Ana Jatobá, pai e madrasta da menina Isabela Nardoni, respectivamente, e conheça oito indícios que corroboram com a tese de que os trechos mostrados acima indicam uma mentira ou mais no discurso.

1) Por que ele como pai de três filhos faz questão de dizer que a Isabela era o maior tesouro da vida dele?

2) Por que ele não disse: “Meus filhos são o maior tesouro na minha vida”;

3) Mesmo sendo uma menina de 6 anos era vista como a mamãe de um dos irmãos.

4) Será que poderia haver ciúmes da madrasta pela substituição?

5) Ao utilizar a palavra “defendia” pode indicar a existência de agressões na família;

6) No comunicado, todos da família choram menos Alexandre Nardoni e
Ana Jatobá (madrasta);

7) Quando diz: “monstro que não sou”, o personagem monstro vem a frente da negação, ou seja, a prioridade do discurso está invertida, pois ele se conecta primeiro ao monstro e depois ao fato de não ser;

8) Ao final do comunicado ele diz: “Nós não somos os culpados”. O questionamento que se faz aqui é: Por que ele não conseguiu dizer: “Nós somos inocentes” e utilizou a palavra culpados que já carrega culpa e negatividade.

 

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