Assédio no trabalho: quem é o assediador?

É claro que você não é um assediador ou assediadora. Ninguém se olha no espelho diariamente e se enxerga, conscientemente, desta forma. Com você não seria diferente, afinal, assédio no trabalho é algo que dificilmente acontece. Será?

Mas… Como o mundo enxerga você, já parou para pensar?

Será que os comentários que a sua equipe faz pelas suas costas são mesmo exagero – você é apenas um(a) chefe exigente ou sensual e as pessoas na volta que estão exagerando e não entendem isso?

Pense bem e pense agora. Se você não avaliar bem as suas atitudes, além de uma visão equivocada sobre si, pode estar deixando a porta aberta para ter a reputação abalada – ou um processo nas costas… O que não pega nada bem para a reputação de alguém que está construindo um negócio de sucesso como você, empreendedor.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) 42% dos brasileiros já sofreram assédio no trabalho, já pela revista francesa Rebondir, especializada em questões de emprego, 33% dos trabalhadores ao longo do globo já sofreram assédio. E o problema atingiu indiscriminadamente todos os escalões: executivos (35%), supervisores (27%) e operários (32%).

 

Antes de mais nada, o que é assédio?

 

Assédio é sempre um tipo de violência e se configura na exposição prolongada e repetitiva a situações indesejadas, vexatórias, constrangedoras e humilhantes, praticadas por uma ou mais pessoas. O assediador tem como objetivo humilhar, ofender, ridicularizar, inferiorizar, culpabilizar, amedrontar, punir ou desestabilizar emocionalmente o assediado, colocando em risco a sua saúde física e psicológica, além de afetar o seu desempenho e o próprio ambiente onde todos estão inseridos.

De algumas semanas para cá, temos sido bombardeados pela mídia, em todas as faixas etárias, com questões relacionadas aos diversos tipos de assédio. Desde a ficção, como a série do Netflix 13 Reasons Why, até a vida real, com os casos recentes da Rede Globo – envolvendo o ator Jose Mayer e o participante do BBB17, Marcos, que foi expulso do programa.

Estes casos recentes trouxeram à tona os 3 tipos de assédio mais comuns:
  • Assédio sexual, que é toda a forma de de avanço sexual não consensual, desde o flerte não correspondido a situações em que a outra pessoa é forçada a ter contato sexual com o assediador;
  • Assédio moral, caracterizado por humilhações constantes, geralmente provocados por um superior, que levam à uma degradação das condições de trabalho;
  • Corporativismo ou defesa exclusiva dos próprios interesses profissionais por parte de uma categoria funcional. Nos casos da Rede Globo, a própria emissora se posicionou, em tom de repúdio e de não concordância, evitando que os casos se transformassem em corporativismo.

 

O assédio não ocorre de maneira clara e evidente, mas todos os casos de assédio decorrem de uma percepção ou condição real de poder do assediador sobre o assediado. Ele pode estar disfarçado em situações sutis e sorrateiras e nem sempre é explícito.

O que não é assédio?

Tão importante quanto a possibilidade de entender ou qualificar o assédio moral no ambiente de trabalho é a compreensão daquilo que não é assédio moral. Nem todas as pessoas que se dizem assediadas o são de fato.

Os conflitos que os grupos vivem no ambiente de trabalho e que fazem parte deste universo não caracterizam, necessariamente, assédio. O assédio moral caracteriza-se antes de tudo pela repetição, não podendo ser consideradas como assédio moral no ambiente de trabalho:

  • Situações estressantes ou o estresse gerado por situações de conflito;
  • Conflitos explicitados;
  • Gestão despótica;
  • Agressões pontuais;
  • Más condições de trabalho ou ainda;
  • Imposições profissionais.

Assédio no trabalho: como prevenir que a sua percepção pessoal seja diferente daquela que as pessoas na sua volta tem?

 

Talvez se questionar sobre as próprias atitudes, enquanto líder da sua empresa, seja o primeiro caminho para evitar o assédio na sua vida profissional e na pessoal também. Há metodologias e ferramentas que ajudam a identificar os indícios de assédio. Tenha em mente que toda a provocação, ridicularização, gozação, desqualificação são formas como o assédio se manifesta e o ideal é que sejam evitadas desde o princípio.

A melhor forma de combatê-lo é tratando-o de maneira transparente e pragmática, munindo os profissionais que já sofreram, ou ainda, que estão sofrendo assédio, com informação sobre o tema. É muito importante que tanto quem sofre ou pratica o assédio compreendam-no, pois pior do que ser assediador ou assediado é não saber sequer que ele está ocorrendo.

O assédio é um fenômeno multidimensional, ou seja, não existe apenas a relação entre assediado e assediador, é também um problema de nível organizacional, pois acontece dentro ou no âmbito das organizações.

Muitas vezes a cultura do assédio se desenvolve no assediador pelo fato deste acreditar que “uma andorinha só não faz verão” e seguir repetindo velhos hábitos e padrões. Se a maioria das pessoas na sua volta age de uma maneira que pode configurar assédio, não significa que você tenha que repetir este comportamento ou achar que não pode mudá-lo.

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