Assédio Moral e Sexual dá para prevenir?

O assédio, seja ele moral, sexual ou corporativismo (assédio entre pares), é um problema sério enfrentado pelas organizações. Cada vez mais funcionários têm levados casos de abuso à justiça, o que gera prejuízos para a empresa, não apenas financeiros como também de imagem perante a sociedade, parceiros e investidores.

Se você acredita que esse problema pode estar acontecendo na sua empresa entenda como identificar os abusos, diferenciar os tipos de assédio e, principalmente, como preveni-los.

Os casos de assédios atingem homens e mulheres em qualquer nível hierárquico e podem levar a vítima a ter sérios problemas físicos e/ou psicológicos, podendo atingir sua vida pessoal e até interromper a carreira profissional.

A empresa, mesmo que não compactue com as atitudes de abuso, responde legalmente por elas,  pois o empregador deve zelar pela integridade psíquica, bem-estar e saúde de seus funcionários. Portanto é imprescindível que a organização atue na prevenção e também saiba identificar e diferenciar os tipos de assédio.

Tipos de Assédio

 

– O que é Assédio?

Assédio é a exposição de uma pessoa a insistências que se repetem com intenção de obter-se algo, colocando-a em um cerco até conseguir o que se deseja, isto pode acontecer através de propostas, chantagem ou humilhações.

O dicionário Michaelis aponta que assédio é: “[…] Impertinência, importunação, insistência junto de alguém, para conseguir alguma coisa […].”

 

– O que é Moral?

A moral tem como ideia e valor central o conceito de bem, que pode ser entendido como tudo aquilo que promove e desenvolve o ser humano. A partir dessa ideia central é que são retirados princípios e diretrizes até se chegar às regras morais, que influenciam o comportamento e a mentalidade humana.

 

– O que é Assédio Moral?

Assédio Moral é qualquer tratamento abusivo com intenção de provocar alguém através de comportamentos, atitudes, gestos ou por escrito; esta importunação é frequente e causa danos físicos e/ou psicológicos à vítima, colocando seu cargo e seu futuro profissional em risco, além de atrapalhar o ambiente organizacional.

Como exemplos frequentes de assédio moral no ambiente de trabalho, podemos citar a exposição de trabalhadores a situações vexatórias, com objetivo de ridicularizar e inferiorizar, afetando o seu desempenho. É comum que, em situações de assédio moral, existam tanto as ações diretas por parte do empregador, como acusações, insultos, gritos, e indiretas, ou ainda a propagação de boatos e exclusão social.

 

– Atitudes que caracterizam Assédio Moral:

Listamos algumas atitudes hostis que se praticadas com frequência por um determinado período de tempo podem caracterizar assédio moral:

 

1. Deterioração das condições de trabalho:

• Não lhe transmite as informações úteis para a realização de tarefas;

• Criticar seu trabalho de forma injusta ou exagerada;

• Priva do acesso aos instrumentos de trabalho como: telefone, fax, computador;

• Atribuir-lhe tarefas superiores às suas competências;

• Atribuir à vítima tarefas incompatíveis com sua saúde;

• Induzir a vítima ao erro.

 

2. Isolamento e recusa de comunicação

• Superiores hierárquicos e colegas não dialogam com a vítima;

• A comunicação com ela é unicamente por escrito;

• É posta separada dos outros;

• Proíbem os colegas de lhe falar.

 

3. Atentado contra a dignidade

• Utilizam insinuações desdenhosas para qualificá-la;

• Fazem gestos de desprezo diante dela (suspiros, olhares desdenhosos, levantar de ombros);

• É desacreditada diante dos colegas, superiores ou subordinados;

• Zombam de suas deficiências físicas ou de seu aspecto físico; é imitada ou caricaturada;

• Criticam sua vida privada;

• Zombam de suas origens ou de sua nacionalidade;

• Implicam com suas crenças religiosas ou convicções políticas;

• Atribuem-lhe tarefas humilhantes;

• É injuriada com termos obscenos ou degradantes.

 

4. Violência verbal, física ou sexual

• Falam com ela aos gritos;

• Ameaças de violência física;

• Agridem-na fisicamente, mesmo que de leve, é empurrada, fecham-lhe a porta na cara;

• Não levam em conta seus problemas de saúde;

• É assediada ou agredida sexualmente (gestos ou propostas).

 

– Definição de Assédio Sexual:

De acordo com o artigo 216-A do Código Penal, Assédio Sexual é:

Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.

O assedio sexual tem cunho físico e sexual, que tem como objetivo contatos físicos forçados, convites inconvenientes, que utilizam as características de se aproveitar para se manter o emprego da vítima, influenciar em promoções, humilhação e intimidação da mesma.

O assédio moral e o assédio sexual são violências que podem ocorrer simultaneamente durante a jornada de trabalho, por exemplo, quando o agressor tem interesse sexual por uma funcionária e não é correspondido, então ele se revolta contra esta pessoa e começa a assediá-la moralmente.

Não raro, o assédio moral pode levar ao assédio sexual, ou ser consequência dele; quer dizer tanto o assédio moral poder dar origem ao sexual quanto à resistência a uma tentativa de assédio sexual pode gerar assédio moral.

 

– Definição de Corporativismo (Assédio entre pares):

O Corporativismo, também conhecido como Assédio Moral Horizontal é realizado entre funcionários com funções e colocações hierárquicas semelhantes dentro da organização.

Tendemos a crer que o assédio no ambiente de trabalho seja uma prática exercida apenas por quem tem poder formal, como os chefes e patrões; entretanto, além deles, as pessoas que não possuem esse tipo de poder, como os colegas, podem exercer sobre os outros ações perversas que os desqualifiquem e minem sua auto-estima, ou que os impeçam de crescer no trabalho e até mesmo de permanecer nele.

Neste caso o fato ocorre entre os pares, ou seja, entre funcionários de mesmo nível hierárquico. Isto ocorre por alguns motivos como: inveja, diferença de sexo, aparência física, opção religiosa, inimizade antiga, sobrecarga de trabalho, cumplicidade com o chefe, indiferença quanto ao sofrimento, e rompimento ou enfraquecimento dos laços de amizade.

Os grupos tendem a nivelar os indivíduos e a não suportar as diferenças, como por exemplo, reagir muito agressivamente em situações profissionais em que mulheres vêm integrar grupos majoritariamente masculinos ou o contrário. Também a chegada de homossexuais, de indivíduos de outras culturas ou pertencentes a outras etnias ou colegas que têm diferentes experiências, níveis bastante diferentes de escolaridade, grande diferença nas faixas etárias, deficientes físicos ou pessoas com outras preferências políticas e religiosas. Essas distinções podem servir de pretexto para desencadear agressões que aos poucos podem se tornar assédio moral.

 

Assédio contra mulher

 

Apesar de serem institutos com conceitos distintos, ambos os assédios tem sido os maiores problemas enfrentados pelas mulheres no ambiente de trabalho, perdendo apenas para os baixos salários. As mulheres são as principais vítimas dos dois tipos de violência, sendo que a maioria das vezes uma procede da outra, ou seja andam juntas, não sendo raro os dois tipos acontecerem simultaneamente. Como exemplo, utiliza-se a situação aonde as vítimas são ameaçadas com demissão, por não cederem as investidas sexuais.

No ambiente de trabalho as principais vítimas de assédio sexual são as mulheres, uma pesquisa realizada pelo portal Vagas.com indicou que enquanto o assédio moral foi relatado em proporções semelhantes por homens (48%) e mulheres (52%), o sexual é quatro vezes mais comum entre elas: 80% das pessoas que disseram ter sido vítimas de abuso são do sexo feminino.

Áreas em que há apenas uma ou duas mulheres em meio aos homens é a situação mais corriqueira de assédio. As características físicas e biológicas das mulheres as remetem a situações que caracterizam o assédio, pois podem engravidar, o que faz com que as empresas imponham às mulheres que não engravidem, deixando-as com receio e medo pela garantia do emprego.

 

Como Prevenir o Assédio no Ambiente de Trabalho?

 

O assédio  traz muitas consequências ruins para as organizações, tais como:

• Queda da produtividade;

• Perda da qualidade;

• Aumenta o absenteísmo e turnover;

• A imagem da empresa fica arranhada perante a sociedade;

• Custos com retrabalho;

• Desestruturação do ambiente de trabalho;

• Gastos onerosos para o pagamento de indenizações.

Não existe uma única ação isolada para garantir que seus gestores e colaboradores não pratiquem abusos contra seus subordinados e colegas. A empresa tem que se valer de uma série de atitudes e regras que eduquem seus colaboradores.

Para prevenção do assédio moral dentro das organizações é importante a união das partes envolvidas, tais como os gestores, médicos do trabalho, sindicatos, técnicos de segurança, os setores de RH e Compliance, estes devem transmitir segurança e respeito quando procurados para que o funcionário possa expor seus sofrimentos e suas frustrações que acontecem na jornada de trabalho.

As ferramentas de compliance como os códigos de ética e conduta, canal de denúncias, treinamento e desenvolvimento sobre ética organizacional, programas de integridade, entre outros, são fundamentais para conscientizar, educar, informar e treinar os gestores, para que os mesmos aprendam que o fator humano é tão importante quanto à produtividade e que funcionário motivado e satisfeito colabora para o crescimento e desenvolvimento da organização.

As pesquisas de Compliance Cultural também podem ajudar a descobrir se atitudes hostis e abusos não estão sendo vistos como “atos normais” por seus gestores e funcionários.

Por fim, é de extrema importância desenvolver o potencial de resiliência individual dos colaboradores para que eles saibam como agir diante destas questões.

Agora que você já sabe quais são os tipos de assédio que podem ocorrer no ambiente organizacional, quais são suas consequências e como prevenir, conheça nossas soluções e o PIR, nossa ferramenta de gestão e desenvolvimento que tem por objetivo identificar o quanto um profissional pode resistir a situações de dilemas éticos no trabalho.

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